Recebi o meu primeiro postal das Grutas de Batu em 2015, retratando o festival Thaipusam, que se celebra todos os anos entre janeiro e fevereiro.
Na semana passada, recebi um segundo postal de lá. A Kristiina, uma rapariga da Finlândia, viajou sozinha durante 6 semanas pela Ásia e enviou alguns postais enquanto viajava.
A apenas dez quilómetros a norte de Kuala Lumpur, as Grutas de Batu destacam-se como um dos símbolos culturais e espirituais mais icónicos da Malásia. Este fascinante sítio natural, situado nas margens do rio Gombak, oferece muito mais do que um espetáculo geológico. É um verdadeiro santuário vivo da tradição hindu, rico em história, espiritualidade e cores vibrantes.
As Grutas de Batu têm uma história fascinante que começa no século XIX. Originalmente, estas grutas naturais eram exploradas pelo seu calcário e guano (excrementos de morcego, utilizados como fertilizante). Em 1891, o comerciante indiano K. Thamboosamy Pillai teve a visão de transformar estas grutas num santuário dedicado ao Senhor Murugan, o deus hindu da guerra e da vitória. Hoje, este local tornou-se o maior santuário hindu fora da Índia.
A entrada do local é assinalada pela imponente estátua de Hanuman, o deus macaco, que observa este local sagrado a uma altura de 15 metros. Os visitantes sobem depois 272 degraus, no topo dos quais se encontra uma representação dourada de 43 metros do Senhor Murugan, inaugurada em 2006. Este ícone, um dos mais altos do mundo, simboliza a harmonia entre as energias masculina e feminina e incorpora a sabedoria divina.
As próprias grutas são uma verdadeira obra-prima da natureza. Em 2018, as suas paredes foram decoradas com cores vibrantes, suscitando admiração e controvérsia. Embora alguns puristas tenham criticado estas adições pelo seu impacto na autenticidade histórica do local, muitos visitantes apreciam este novo esplendor visual.
As Grutas de Batu tornam-se um ponto central de atividades todos os anos durante o festival Thaipusam (...). Este festival religioso hindu comemora a oferta de uma lança da deusa Parvati ao seu filho Murugan para derrotar as forças do mal. Milhares de fiéis participam numa procissão que parte de Kuala Lumpur, transportando "kavadi", estruturas de madeira ou metal decoradas, frequentemente presas ao corpo por ganchos ou agulhas. Estes atos de extrema devoção demonstram a fé e a espiritualidade dos participantes. Os visitantes são sempre bem-vindos, desde que respeitem os costumes locais.

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